Contos de sabedoria
 
Todas as culturas tradicionais transmitiram seus conhecimentos essenciais e sua sabedoria por meio de contos, mitos e lendas. Seus personagens revestem modelos arquetípicos universais e seus ensinamentos, igualmente universais, nos convidam, bem além da simples moral, a reconhecer e acolher as grandes leis da vida e a seguir o caminho do bem que é também o caminho da felicidade.
 
A grande maioria dos contos e histórias já atravessou séculos, até milênios, e fronteiras culturais, sendo difícil saber quem os criou. São contados e recontados e o mesmo conteúdo pode existir, com roupagens diferentes, em diversos países.
 
Escolhi alguns comentários do grande contador africano Amadou Hampâté Bâ, encontrados em seu livro Contes initiatiques peuls, para ilustrar o poder dos contos:
 
"Se quiserem salvar conhecimentos e fazê-los viajar através do tempo, diziam os velhos iniciados bambaras, confiem-nos às crianças."
 
"De fato, cada personagem do conto tem seu correspondente em nós. Njeddo Dewal [a bruxa vampira] e Bâgoumâvel [avatar africano do pequeno polegar] estão em nós como dois pólos extremos, separados por uma infinidade de graus possíveis. Nosso ser é o lugar do seu combate."
 
Sobre a utilização dos contos:
 
"Na África, o ensino não é dado de uma maneira sistemática como no ocidente moderno, ou seja, com um programa progressivo escalonado e bem distribuído no tempo. Aqui, ensinos elementar, médio e superior são dados ao mesmo tempo, segundo os acontecimentos e as circunstâncias... Não há um ensino elementar e um ensino superior: há uma compreensão elementar e uma compreensão superior."
 
A relação entre os contos e a educação é mais evidente nas culturas de tradição oral do que no mundo ocidental moderno. Os contos reuniam as pessoas da família, amigos e vizinhos em torno do contador que era, muitas vezes, um "profissional" que viajava de um lugarejo ao outro compartilhando seu conhecimento.
 
O que permanecia gravado nas memórias precisa agora de suporte físico: papel dos livros, telas dos computadores, dos cinemas.
 
Pessoalmente, gosto de substituir o papel por panos escuros, às vezes tratados com uma emulsão fotográfica carregada de prata, onde o texto é escrito à mão, em dourado. Há, nessa escolha, duas intenções: reencontrar um espaço simbólico associado a um tempo lento, espaço mágico afastado do espaço-tempo do consumo acelerado dos dias atuais, e associar ao "ouro" e a "prata" dois de seus conteúdos simbólicos: o conhecimento e a memória como suporte do conhecimento.
 
Cada vez que foi possível, escolhi contos para acompanhar e enriquecer os vários assuntos reunidos neste site:
 

A princesa indócil
 

O essencial
 

O homem com barba
 

O jardim do rei
 

O eremita e a ratinha
 

Ações e destinos
 

A fábula da Verdade
 

O homem que não conseguia escolher
 

A nova sabedoria
 

O homem sem sorte
 

O homem com sorte
 

A xícara de chá
 

O Sol, a Lua e os homens que esqueciam
 

A Barragem
 

A fonte da separação
 

O que resta após o esquecimento
 

A prece absurda
 

A prece particular
 

O homem que andava sobre a água