Resumo da entrevista de Yann Olivaux a Rodolphe Forget
 
Yann Olivaux é biofísico, diplomado em ressonância magnética nuclear aplicada à biologia e à medicina e autor do livro La nature de l´eau (A natureza da água) de mais de 700 páginas.
 
No seu livro La nature de l´eau (A natureza da água), Yann Olivaux apresenta um panorama dos mundos da água. 50% das quase 700 páginas são dedicadas à qualidade da água alimentar.
A relação entre água e saúde está no centro dos interesses de Yann Olivaux que propõe pensar em "quais águas beber" no plural. Como não temos todos a mesma tipologia fisiológica, não é a mesma água que convém a todo mundo. E também são diversas as águas que se encontram fora e dentro dos mercados.
Ele identificou algumas questões de especial importância em relação à água.
 
1º - Ao contrário do que se pensa normalmente, a água não é uma coisa simples e banal, é uma coisa muito complexa.
 
2º - A água se apresenta em mais estados do que os três descritos pela ciência: sólida (gelo), líquida e gasosa (vapor). Ela também existe como água interfacial. "Essas noções tão familiares dos estados da água não se aplicam mais quando a água se encontra confinada a uma escala nanométrica". Nesse estado, onde a lei dos grandes números não se aplica mais, a água apresenta novas propriedades. Nem gelo, nem líquido e nem vapor, mas em vez disso, os três estados reunidos em uma unidade propícia à vida, assim é a água interfacial. O exame de um simples copo de água revela três tipos de interfaces: água/continente, água/ar e água/soluções.
 
3º - Não se deve esquecer que por trás da pergunta "Que água beber" há importantes aspectos econômicos. Os consumidores têm voltado em grande número para a água da rede, por um lado em função de uma tomada de consciência quanto à importância da água para a manutenção da saúde, mas principalmente em função da crise, já que a água da rede é no mínimo 40 a 50 vezes mais barata do que o 1º preço de uma garrafa de água de nascente no supermercado.
 
4º - O que está em jogo ecologicamente é cada vez mais significativo porque a gente sabe que a água se torna rara no sentido em que ela é cada vez mais poluída e degradada, principalmente por causa das atividades humanas. Novas maneiras de obter água potável, por exemplo, a dessalinização da água do mar, trazem consigo novos problemas, como a produção de grandes quantidades de sal que alteram o meio ambiente. Além disso, um estudo sério mostrou que a água engarrafada percorre 300 km em média entre o local de captação e a boca do consumidor.
 
5º - Esquece-se muitas vezes da relação entre a qualidade das águas ingeridas e nossa água corporal, e nas regiões onde o acesso à água é muito fácil ela se tornou um produto banal e não é vista mais com o respeito que os antigos tinham por ela.
 
Tratando-se das águas alimentares, encontramos 4 ofertas possíveis:
- a água da rede,
- a água engarrafada,
- a água filtrada a partir da água da rede,
- a água dinamizada a partir de águas de qualidade.
 
Além disso, há 3 qualidades de água:
- a água potável, segundo as normas oficiais - Água Destinada ao Consumo Humano - que não prejudica a saúde (águas da rede e águas engarrafadas).
- a água biocompatível, considerando uma mudança do conceito de potabilidade, que é uma água boa para a saúde.
- a água terapêutica, constituída pelas águas minerais que têm virtudes terapêuticas reconhecidas e uma legislação particular. Deveria ser bebida no local da extração.
 
No CRIIEAU - Centro de Pesquisa e Informação Independente sobre a água -, do qual faz parte Yann Olivaux, contestam a noção comum de potabilidade e defendem uma mudança no tipo de avaliação da água para visar uma água dita biocompatível, portanto uma água que passou por testes biológicos e que seja boa para a saúde. Essa água biocompatível é também chamada de "salubre", ou seja, que não somente não faz mal à saúde, mas ao contrário faz bem a ela (não confundir com o sentido da palavra em português).
 
Na escolha de uma água para beber devemos levar em conta:
- o aspecto econômico, preço que podemos pagar;
- o aspecto ecológico, impacto do plástico e do transporte;
- a qualidade da água;
- o aspecto sanitário das águas modificadas por filtração e/ou dinamização.
 
A filtração responde à necessidade de diminuir ao máximo os produtos nocivos presentes na água, mesmo que em doses fracas, pois os perturbadores endócrinos agem em doses muito muito fracas. Além disso, ocorre uma sinergia entre os poluentes.
Existem dois grandes sistemas eficientes de filtração: as colunas de carvão ativado, "frito" e comprimido (são muito mais eficazes do que o carvão granulado da garrafa filtrante). Essas colunas custam entre 150 e 200 Euros e são instaladas diretamente na torneira. Elas filtram até 10.000 litros de água e sabe-se que bloqueiam a maior parte dos grandes resíduos de medicamentos e pesticidas dissolvidos na água. O segundo grande procedimento, a osmose reversa, usa uma membrana com filtragem mecânica que, em teoria, só deixa passar as moléculas de água (a quantidade de resíduos secos é baixa).
A dinamização, por sua vez, pode ser realizada a partir de uns 20 sistemas, no caso da França. Trata-se de procedimentos de estruturação da água que não são reconhecidos pela ciência convencional. Eles buscam reproduzir eventos da natureza como o vortex e a exposição ao sol, que potencializam a vitalidade da água. A dinamização precisa ser estudada de maneira multidisciplinar e independente.